Mokuso

Paulo Bastos (1967- )

Ref. ava120893

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Mokuso

 

O termo japonês “Mokuso” é uma forma de meditação praticada nas artes marciais japonesas que tem como objetivo o esvaziar da mente.

Esta obra de 1993, na sua versão original de 2 pianos, foi a minha primeira composição realizada no contexto académico de um curso superior de composição. A versão para sexteto tem como pano de fundo a versão dos dois pianos acrescentando duas flautas (flauta em dó e flauta baixo) e dois clarinetes (clarinete em sib e clarinete baixo). Em mim ficou sobretudo, tantos anos depois, a sensação de que aquele era o caminho que tinha que percorrer, pela via do “não discurso” e que essa seria potencialmente a minha forma de escrita. Não poderia deixar de referir que as primeiras impressões causadas no meu professor de então foram as de uma total surpresa e aceitação sem qualquer tipo de sugestões ou alterações. Perguntou-me, na altura, se eu conhecia Morton Feldman, naturalmente disse a verdade, que não, nem sabia quem o senhor... Conheci entretanto a música de Feldman, na época, não havia sequer um cd em Portugal. Fiquei deslumbrado, era um dos tipos de discurso com que me identificava, mas, ainda assim não via na minha peça o “nada” levado ao extremo como acontecia com o compositor americano. Afinal na minha obra, apesar de um discurso latente sobre o estatismo e o “nada”, havia muitas coisas que a separavam da música de Feldman, tais como, por exemplo, toda a tenção rítmica e variação dinâmica da peça. Realizei esta versão de sexteto no ano de “Lisboa, Capital Europeia da Cultura”, a pedido do meu professor, de forma a esta ser interpretada nos 18ºs Encontros de Música Contemporânea da Gulbenkian em Maio de 1994 pelo “Grupo Música Nova” no Grande Auditório da Culturgest em Lisboa.