Ilusio

Nuno Jacinto (1985 - )

Ref. ava141203

Ilusio

Quatro Canções sobre a Ilusão

Para Soprano e Piano

Texto baseado na “A Natureza Morta” de

Paulo José Miranda

 

 

I. Luz e Morte (Dur. aprox.: 3 minutos)

"De repente,[…] uma manhã que nos ilude. Confunde-se a luz do dia com […] a esperança. E um

piano soa da janela de uma casa, o fumo dos sons sobe ao telhado, aí, onde a morte visitou o homem

do violino. Por vezes, temos a morte tão perto que tocamos […] para não a escutar, como se me

escondesse por detrás da razão.“

 

II. Inverno e Amor (Dur. aprox.: 3 minutos)

“Está mais frio, mas está mais sol. É um dia magro de Inverno, quase Outono, quase belo. Ontem,

nada faria prever este respirar leve, de novo o amor. Sorria sozinho por entre as colcheias. Um

disparate enorme deixar-se levar assim pelo entusiasmo.”

 

III. Senza (Dur. aprox.: 2 minutos)

“[…] tantas vezes me agarrei ao piano somente para sentir ternura. A maioria das vezes nem há

música, só uma espécie de sentimento. (…) As notas não ecoam com um sentido determinado, saltase

de pensamento em pensamento, mas sente-se apenas a nossa própria voz incoerente, falha de

harmonia com a vida. Nada para ser levado a sério. (…)”

 

IV. Pensamento e Ilusão (Dur. aprox.: 3 minutos)

“(…) o pensamento precisa de viver de alguma coisa, e não será […] dele mesmo. O pensamento vive

[sem] ternura. (…)[E] a vida suporta (…) ternura. Mas há manhãs que nos iludem. Sei que só a ilusão

alimenta a vida. É preciso fazer funcionar o piano, o mundo. “

 

 

in “A Natureza Morta” (1998) de Paulo José Miranda

 

(Duração total aprox.: 10-11 minutos)