L’art de toucher le clavecin

François Couperin

Ref. ava181800

L’art de toucher le clavecin

Apresentação da obra

 

A Arte de Tocar Cravo foi redigida por François Couperin após 20 anos de trabalho na corte francesa. Pela primeira vez publicada em Paris no ano de 1716, foi de novo impressa no ano seguinte numa edição aumentada. A presente tradução baseia-se nessa segunda edição, de 1717.

 

Esta obra é composta de breves reflexões sobre o ensino do instrumento e a maneira correcta de tocar cravo, às quais se juntam demonstrações práticas sobre a execução dos ornamentos, exercícios de dedos e explicações sobre a realização de passagens difíceis em peças pertencentes aos livros do autor já publicados. A obra contém também uma Allemande, na qual o compositor adapta a escrita italiana às características do cravo, e oito prelúdios «[que] anunciam agradavelmente o tom das peças que vamos tocar, como também servem para desligar os dedos e, frequentemente, para experimentar teclados sobre os quais não nos exercitámos ainda.»

 

Embora não se trate da primeira tradução portuguesa — existe pelo menos uma outra, publicada em 2008, pela editora Sementes de Mudança —, a actual tradução inclui elementos que não estavam presentes na primeira: vem acompanhada de uma introdução e de notas explicativas que ajudam a compreender melhor o pensamento do autor; a Allemande e os oito prelúdios são apresentados em fac-símile e em transcrição moderna lado a lado; adicionou-se ainda a tabela de ornamentos que Couperin incluiu no seu primeiro livro, editado em 1713, uma vez que o texto de A Arte de Tocar Cravo refere especificamente essa tabela; por fim, optou-se por um formato de edição com dimensões semelhantes às de uma partitura, de forma a permitir a sua leitura ao teclado.

 

 

Com este livro, pretendemos divulgar um texto fundamental sobre o ensino do cravo e a interpretação da música barroca francesa. No entanto, A Arte de Tocar Cravo leva-nos mais além. Partindo destes temas, o autor desenvolve uma reflexão sobre as capacidades expressivas do cravo e as características da música francesa, justificando estas últimas pelos traços essenciais da própria língua. Coexistem assim, nesta obra, dois tipos de discurso: um de cariz mais prático, no qual se aborda a técnica musical, e outro mais reflexivo, no qual se analisam as razões e as consequências do fenómeno musical.