Nocturno para violino e piano

Frederico de Freitas (1902-1980)

Ref. AvA141121

Nocturno para violino e piano

Nocturno

 

sobre um soneto de Antero de Quental

Para Violino e Piano

 

Edição crítica André Vaz Pereira e Nuno SoaresIII

 

 

Nocturno

sobre um soneto de Antero de Quental

Notas editoriais

André Vaz Pereira e Nuno Soares

 

 

Contextualização

 

Os primeiros esboços do Nocturno (sobre um soneto de Antero de Quental) para violino e piano datam de 18 de Dezembro de 1923, tendo este sido concluído no ano seguinte. Obra marcadamente simbolista, com a utilização de escalas hexáfonas, apresenta ainda momentos esporádicos de politonalidade no decorrer da mesma. O próprio compositor apresentou uma gravação do Nocturno (com Paulo Manso e Campos Coelho) numa conferência sua sobre Claude Debussy1.

O soneto Nocturno, de Antero de Quental, foi o mote inspirador da obra. Este poema foi escrito entre 1862 e 1866, e publicado pela primeira vez em 1886:

 

 

Nocturno (Antero de Quental)

 

Espírito que passas, quando o vento

Adormece no mar e surge a Lua,

Filho esquivo da noite que flutua,

Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento -

Que voga e subtilmente se insinua,

Sobre o meu coração, que tumultua,

Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva

Um instinto de luz, rompendo a treva,

Buscando, entre visões, o eterno Bem;

E tu entendes o meu mal sem nome,

A febre do Ideal, que me consome,

Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

 

A primeira performance deste Nocturno foi a 14 de Abril de 1924, pelo violinista Fernando Cabral e a pianista Regina Cascaes no Salão Nobre do Conservatório Nacional de Lisboa. Neste concerto foi igualmente interpretado o Allegro Appassionato para violino e piano, bem como a Sonata para violino e violoncelo (com o violoncelista Fernando Costa). Durante a vida do compositor, seguiram-se outras performances de Fernando Cabral e Francine Benoît (2/3/1926), e de Fernando Cabral e Frederico de Freitas (22/3/1926) no Salão do Conservatório, tendo sido gravado por Paulo Manso e Campos Coelho para a editora discográfica His Master’s Voice em 1930. Esta obra teve ainda a atenção de dois duos de violino e piano (Vasco Barbosa / Grazi Barbosa e Paulo Manso / Isabel Manso), que o apresentaram em salas como o Teatro da Trindade (1941), ou, através da promotora de concertos Pró-Arte (coordenada por Ivo Cruz), na delegação de Castelo Branco (Liceu de Nun’Álvares) em 1967³.